Schumpeter e a inovação

Joseph Schumpeter: Teoria e Obra

*Por Diercio Ferreira

Sem dúvidas que Joseph Schumpeter foi dos maiores Economistas e pensadores políticos do século 20.

Joseph Schumpeter é muito reconhecido por sua teoria que visa explicar as atividades que levam aos ciclos de expansão e retração do sistema Capitalista.

A Teoria Schumpeteriana derivada dos ciclos longos de Kondratieff e tem como foco as inovações empresariais e seu papel como o principal indutor do crescimento econômico.

Schumpeter defende que a concorrência aguça de desejo do empreendedor de buscar novas formas de incrementar a tecnologia, novas maneiras de fazer negócios e outros tipos de vantagens competitivas que poderiam incrementar as margens de lucro e impactar diretamente padrão de vida do empreendedor.

Schumpeter descreve o processo onde a inovações mais recentes substituem as inovações mais antigas como “destruição criativa”.

As ondas Schumpeterianas da inovação

Teoria Schumpeteriana dos Ciclos econômicos

A visão das ondas longas de Kondratieff foi usada por Schumpeter (1939) para desenvolver uma relevante teoria dos conglomerados de inovações, uma versão da teoria em consonância com os ciclos de Kondratieff.

Afirma Schumpeter (1939): “Historicamente, o primeiro Kondratieff coberto por nossa análise, significa a revolução industrial, incluindo o prolongado processo de absorção. Nós o datamos dos anos oitenta do século XVIII até 1842. O segundo cobre o que chamamos de era da máquina a vapor e do aço. Vai de 1842 a 1897. E o terceiro, O Kondratieff da eletricidade, da química e dos motores, nós o datamos de 1898 em diante.”

Ainda segundo Schumpeter (1997): “A descoberta decisiva, que resolveu a nossa questão e ao mesmo tempo pôs o nosso problema em bases um tanto diferentes consistiu em estabelecer o fato de que há, de qualquer modo, alguns tipos de crises, que são elementos ou, pelo menos, componentes regulares, se não necessários, de um movimento em forma de onda que alterna períodos de prosperidade e depressão, que têm permeado a vida econômica desde o início da era capitalista”.

O entendimento Schumpeteriano é que o boom econômico está relacionado ao fato de que empresário inovador ao desenvolver novos produtos e novos processos é seguido por uma turba de imitadores, empreendedores plagiadores que investem recursos tentando copiar os bens elaborados pelo empreendedor inovador.

Desta forma, uma onda de investimentos inunda a economia, criando a bonança e elevando os indicadores económicos e as taxas de emprego.

Conforme Schumpeter (1997): “Os pioneiros removem os obstáculos para os outros, não apenas no ramo da produção em que primeiro aparecem, mas também ipso facto em outros ramos, devido à natureza desses obstáculos. Muitas coisas podem ser copiadas por esses outros; […]”.

Assim, os primeiros líderes são eficientes além da sua esfera imediata de ação e desse modo, o grupo de empresários amplia-se ainda mais e o sistema econômico é impulsionado mais rápida e completamente do que o seria por qualquer outro meio para o processo de reorganização tecnológica e comercial que constitui o significado dos períodos de boom.

Os efeitos que a presença do empresário inovador e dos imitadores tem na atividade econômica para provocar o boom são ratificados por Schumpeter (1997) e atesta que sua teoria explica por que o incremento do investimento de capital é a primeira característica do boom vindouro, por que as indústrias produtoras de meios de produção são as primeiras a apresentar estímulos acima do normal, e, acima de tudo, por que aumenta o consumo de ferro.

Explica o aparecimento em grande volume, de um novo poder de compra, com isso o aumento característico dos preços durante os booms, o que obviamente nenhuma referência a aumento das necessidades ou a aumento dos custos pode sozinha explicar.

Além disso, explica o declínio do desemprego e a elevação dos salários, a elevação da taxa de juros, o aumento dos fretes, a crescente pressão sobre os saldos e as reservas bancárias etc., e, como dissemos, a produção de ondas secundárias — a difusão da prosperidade para todo o sistema econômico. O surgimento de empreendedores em grupos, que é a causa fundamental do boom.

Pela ótica Schumperiana, a destruição criadora está na essência da dinâmica do Capitalismo, estas novas tecnologias surgem como ondas, aleatoriamente e geralmente vem acompanhada do aumento da produtividade do Capital e do trabalho, onde os empresários inovadores conseguem alocar produtos com vantagens competitivas ou de forma diferenciada em relação a suas congéneres concorrentes tecnologicamente desfasadas.

Segundo Schumpeter (1997): “No início do boom os custos se elevam nas empresas antigas; mais tarde suas receitas são reduzidas, primeiramente nas empresas com as quais concorre a inovação, mas, depois, em todas as empresas antigas, na medida em que a demanda dos consumidores se altera em favor da inovação”.

O efeito do surgimento de novos empreendimentos en masse sobre as empresas antigas e sobre a situação econômica estabelecida faz mudar de tal forma todas as condições que se torna necessário um processo especial de adaptação.

Em regra, o novo não surge a partir do velho, mas surge ao lado deste e o elimina no processo concorrencial.

A presença e o incremento dos novos entrantes (os imitadores) que num primeiro momento no início do ciclo contribui para a formação do boom, num segundo momento, reduzem as taxas de lucro.

Inicia-se a fase recessiva com a retração de investimentos, falências e queda na demanda por mão de obra e como resultado ocorre a mutação entre os ciclos econômicos de prosperidade e recessão.

Para Schumpeter (1997): “Em primeiro lugar, se, sob o estímulo do sucesso na indústria em que ocorre o boom, brotam tantos empreendimentos novos, que produziriam, em atividade plena, uma quantidade de produto que eliminaria o lucro empresarial, pela queda nos preços e elevação dos custos — o que naturalmente ocorre, mesmo se a indústria em questão obedecer à chamada lei dos rendimentos crescentes”.

Assim, as empresas tecnologicamente defasadas que não conseguem “surfar nas ondas dos novos paradigmas tecnológicos”, ou seja, que não acompanham as mudanças tecnológicas que são introduzidas em seus mercados tornam-se obsoletas, caducam e simplesmente morrem.

Conforme as inovações e os novos processos vão se tornando commodities (comuns) para o mercado, os lucros cessam, os investimentos mínguam, a depressão se instala.

Ainda segundo Schumpeter (1997): “O boom em si necessariamente leva muitas empresas a funcionar com prejuízos, causa uma queda dos preços além da que é devida à deflação, e adicionalmente provoca deflação mediante a contração do crédito, fenômenos esses que crescem secundariamente no curso dos acontecimentos.”.

Além disso, explica-se tanto a diminuição do investimento de capital e da atividade empresarial, como, por isso, a estagnação das indústrias produtoras de meios de produção e a queda no índice de Spiethoff (consumo de ferro) e nos indicadores similares, tais como as encomendas não executadas.

Com a queda da demanda de meios de produção, também caem o volume de emprego e a taxa de juros. Com a queda das rendas monetárias, que remonta em termos causais, à deflação, mesmo que seja aumentada pelas falências etc., a demanda de outras mercadorias finalmente cai e então o processo terá penetrado em todo o sistema econômico. O quadro da depressão está completo.

A dinâmica Schumpeteriana tem caráter dialético, o boom traz em si os elementos que vão provocar uma ruptura no padrão tecnológico até então vigente, tornar obsoleta empresas ou até segmentos inteiros e levar e economia à recessão. Por outro, novas ondas de inovações surgem que negam os velhos paradigmas do padrão tecnológicos iniciando um novo ciclo de prosperidade.

Esta contradição dialética entre novos e velhos processos tecnológicos e cuja ruptura explica os ciclos de prosperidade e recessão é que está na essência da dinâmica Schumpeteriana da destruição criativa, as mesmas forças que criam o boom são as forças motrizes para surgimento da crise, estando os ciclos de prosperidade e recessão profundamente entrelaçados e inter-relacionados: a teoria é otimista “depois do inverno econômico vem a primavera”.

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Bibliografia

1- Schumpeter J. A. (1939), Business Cycles. New York, NY: McGraw-Hill.
2 – Schumpeter, Joseph (1927), The explanation of the Business Cycles. Econômica, nº 21. (Dec.1927), p.286-311.
3 – Schumpeter, Joseph Alois (1997), Teoria do Desenvolvimento Econômico, uma investigação sobre lucro, capital, crédito, juros e o Ciclo Económico. Editora Nova Cultural, São Paulo.

3 Comentários


    1. Obrigado Breno. Acreditamos que o que falta no Brasil é uma estratégia Schumpeteriana focada em inovação. Uma parte importante deste crise (Além do déficit Estatal) é que somos uma economia dependente focada em commodities cujos preços estão ladeira abaixo, estamos literalmente “no sal” num mundo onde competitividade vale muito. Assim, ou mudamos ou morremos como nação se não implantarmos uma estratégia de agregar valor a produção. este é o dilema.

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  1. Super, super útil, estou fazendo um trabalho do meu curso de gestão financeira e este conteúdo me ajudou muito

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