Kondratieff: ondas longas

As Ondas longas, Ondas-K ou Ciclos de Kondratieff.

Nikolai Kondratieff observou que um recorde histórico de alguns indicadores econômicos até então disponíveis para ele, o que parecia indicar uma regularidade cíclica de fases de incremento gradual nos valores dos respectivos indicadores seguidos de fases de declínio.

O período destas aparentes oscilações pareceu-lhe ser em torno de 50 anos.

Este padrão foi encontrado por Kondratieff com respeito a indicadores como preços, taxas de juros, comércio exterior, produção de carvão e ferro gusa (adicionalmente alguns outros indicadores de produção) para algumas das maiores economias do ocidente (Primeiro de tudo Inglaterra, França e os Estados Unidos), enquanto as ondas longas na produção de ferro gusa e carvão foram reivindicados para ser detectadas desde 1870 para o mundo todo também. (Kondratieff, 1925).

No entanto, nas recentes décadas, as mais populares explanações das dinâmicas das ondas-K ou ondas Kondratieff ou ondas longas, foram à conexão das ondas longas com as ondas de inovações tecnológicas há muito percebida pelo Economista Russo.

Afirmou Kondratieff (1935): “Durante a fase de refluxo das longas ondas, um especial número de importantes descobertas e invenções nas técnicas de produção e comunicações foi realizado, a qual, entretanto, é usualmente aplicada em larga escala somente no início da próxima fase de ascensão da próxima longa onda.”.

Dentro desta abordagem, toda onda de Kondratieff está relacionada com um setor específico de tecnologias de ponta ou com sistemas tecnológicos de ponta. Conforme Papenhausen (2008): “A terceira onda de Kondratieff é caracterizada como a era do aço, eletricidade e Engenharia pesada. A quarta onda estaria associada com a era do petróleo, do automóvel e da produção em massa. Finalmente, a quinta onda seria descrita como a era da informação e das telecomunicações.”.

Enquanto para Lynch (2004) e Dator (2006) a vindoura sexta onda é primeira de tudo, supostamente para ser conectada com a nanotecnologia e com a biotecnologia. (Korotayev eTsirel, 2010).

Tabela 1 – Ondas longas e suas fases identificadas por Kondratieff
Onda Longa nº Fase Início Final
1 A: Ascensão “entre 1780 e 1790.” 1810–1817
1 B: Retração 1810–1817 1844–1851
2 A: Ascensão 1844–1851 1870–1875
2 B: Retração 1870–1875 1890–1896
3 A: Ascensão 1890–1896 1914–1920
3 B: Retração 1914–1920
Fonte: Adaptado pelo autor de Korotayev e Tsirel.

Tabela 2 -Pós Kondratieff – Ondas Longas e suas fases
Onda Longa nº Fase Início Final
1 A: Ascensão 1890–1896 1914–1920
1 B: Retração De 1914 a 1928/29 1939–1950
2 A: Ascensão 1939–1950 1968–1974
2 B: Retração 1968–1974 1984–1991
3 A: Ascensão 1984–1991 2008 – 2015?
3 B: Retração 2008 – 2015?
Fonte: Adaptado pelo autor de Korotayev e Tsirel.

Segundo Thompson (2007): “As ondas longas do crescimento econômico possuem um apelo muito forte de maior significância nos processos sociais do sistema mundial.”.

Ondas longas das mudanças tecnológicas, em torno de 40 a 60 anos de duração, redundam a apontar muitos processos importantes. Elas tornam-se progressivamente muito mais influentes sobre os mil passados anos.

As ondas-K tornaram-se especialmente críticas para um entendimento do crescimento econômico, guerras e liderança sistêmica. Mas elas também se mostram serem importantes para outros processos como mudanças políticas, culturais e mudanças de gerações.

Esta lista não esgota a significância das ondas de Kondratieff, mas ela pode ajudar a estabelecer um argumento para importância das ondas longas para o conjunto de processos sociais do mundo.

Pereira (1986) afirma: “Embora ainda existam muito Economistas que continuam a ver com desconfiança os ciclos longos, existem fortes evidências quanto à sua validade histórica”.

Ainda segundo Pereira (1986): “Os ciclos econômicos de um modo geral não fazem muito sentido para os economistas Neoclássicos, para os economistas Marxistas e para os Economistas Neo keynesianos, que se formaram a partir da segunda guerra mundial. Também os ciclos longos deixaram por um longo tempo de fazer sentido: A confiança no planejamento e na política econômica, em uma economia que atravessa uma longa fase de expansão de uma onda longa de Kondratieff, leva estes economistas a tecno-burocraticamente (sic), a esquecer de ou diminuir a importância dos ciclos e principalmente dos ciclos longos.”.

Bibliografia

Dator J. (2006), Alternative Futures for K-Waves. Kondratieff Waves, Warfare and
World Security, Ed. by T. C. Devezas, Amsterdam, IOS Press, P. 311–317

Kondratieff, Nikolai Dimitri (1925), The Major Economic Ciclos (in Russian), Moscou.
Translated and published as The Long Wave Ciclo by Richardson & Snyder, New York, 1984.

Kondratieff, N. D. (1935), The Long Waves in Economic Life. The Review of
Economic Statistics 17/6: 105–115

Lynch, Z. (2004), Neurotechnology and Society 2010–2060. Annals of the New York
Academy of Sciences 1031: 229–233

Papenhausen Ch. (2008), Causal Mechanisms of Long Waves. Futures 40: 788–794

Pereira, Luiz Carlos Bresser (1986), Lucro , Acumulação e crise. Editora Brasiliense,
Brasília-DF.

Thompson W. R. (2007), The Kondratieff Wave as Global Social Process. World System
History, Encyclopedia of Life Support Systems, UNESCO / Ed. By G. Modelski, R. A.
Denemark, Oxford: EOLSS Publishers, http://www.eolss.net

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