Ondas K e a teoria das estações

As ondas Longas e a teoria das estações de Gordon

Gordon (2008) realizou uma tentativa de adaptar as ondas-K ao desempenho econômico e financeiro dos países na era pós Kondratieff e criou uma teoria relacionando a teoria das ondas longas ao ciclo anual das estações com o objetivo de tentar explicar como ocorrem as recessões e as expansões econômicas, quais os sintomas que em sua percepção nos indicaria em qual estação ou onda longa o mundo se encontraria e quais os sinais que nos indicariam a passagem de uma para outra estação.

A Figura 1 abaixo é um gráfico representativo das ondas K e a Figura 2 um resumo esquemático da contribuição de Gordon à tese de Kondratieff.

A teoria de Gordon (2008) está associada ao conceito de ondas longas, no entanto, nossa primeira percepção é que esta teoria, apesar de bem estruturada e buscar associar-se com a teoria de Kondratieff, está desligada dos fundamentos que a suportam, ou seja, que existe uma correlação entre as ondas k ou longas ondas e o grau de desenvolvimento da tecnologia.

Não enxergamos na Teoria de Gordon esta associação, este trabalho coube ao grande Economista Schumpeter, que bem antes realizou a associação entre inovação e o ciclo de negócios.

A teoria das estações busca encontrar padrões em determinadas fases econômicas do passado, associa estes padrões ao presente e tenta fazer previsões para o futuro tendo o ciclo de negócios como cenário.

Os Ciclos de Kondratieff

Figura 1 – Os Ciclos de Kondratieff


Fonte: Traduzido pelo autor – adaptado de Gordon (2008)

Podemos ver na Figura 2, que na visão de Gordon as ondas longas de Kondratieff possuem quatro estações ou fases distintas: Verão, outono, inverno e primavera com as seguintes características:

Figura 2 Resumo esquemático da teoria das estações

Fonte: Traduzido pelo autor – adaptado de Gordon (2008)

Ondas K- Primavera

Após a ressaca do inverno vem à primavera onde tudo volta a florescer. Nesta adaptação de Gordon das ondas-K para os séculos XX e XXI, acredita-se que a primavera teve início no fim do ano de 1949.

Como uma Fênix, a economia mundial renasce das cinzas e ainda ressacada do prolongado inverno de 1922-1949, da profunda depressão e da I Guerra mundial.

Muda-se definitivamente o cenário geopolítico e econômico, tem início a guerra fria e a divisão do mundo em sistemas econômicos distintos. A confiança retorna e volta à esperança, mas o crédito continua escasso e sua oferta precária.

Características da primavera:

• Gradual incremento nas atividades de negócios e no emprego.
• Medo do retorno à depressão a confiança é fraca, mas esta confiança aumenta em consonância com o crescimento econômico.
• Retorno da inflação que gradualmente se eleva conforme aquecimento da economia.
• Preços ao consumidor iniciam com um gradual incremento a partir de níveis muito baixos.
• Preços dos estoques iniciam um sólido aumento e atingem um teto no final da primavera.
• As taxas de juros elevam-se lentamente baseadas em baixos níveis históricos em consonância com uma gradual expansão do crédito.
• Investimentos típicos da primavera: Estoques e imóveis.

Ondas K – Verão

No verão evidentemente as coisas ficam quentes e os verões econômicos são associados com as guerras, Gordon (2008) acredita que o ciclo do verão é iniciado ao redor do ano de 1966: Neste período a guerra fria atinge o seu ápice: Corrida nuclear, Guerra do Vietnam, Guerra das Coreias, Guerrilhas na América Latina, Revolução Cubana com a queda do Ditador Batista e surgimento do Regime Cubano, crise dos mísseis em Cuba que quase levou o mundo a uma guerra nuclear. Portugal enfrenta a guerra colonial na África que termina com a Revolução dos cravos em 1974, Guerra do Afeganistão entre outros conflitos regionalizados.

No mundo Árabe aconteceram as guerras de 1967 e a Guerra do Yom Kippur de 1973 patrocinada por uma coligação de Países Árabes contra o Estado de Israel, como consequência desta guerra surgiu a OPEP e aconteceram as crises do petróleo dos anos 70 e 80 que jogaram a economia mundial em recessão e estagflação.

A consequência da crise foi o aumento da participação das fontes alternativas de energia na matriz enérgica mundial.

Na América Latina estouram os golpes militares e surgem as Ditaduras Militares, no Brasil o Regime Militar surge em 1964 (início do ciclo) e morre coincidentemente com o fim deste ciclo.

Em 1979 inicia-se a transição Política, em 1982 primeiras eleições livres para Governador e em 1984 com a Campanha para as eleições ―Diretas Já com milhões de Brasileiros nas ruas o Regime Militar é definitivamente sepultado.

Aos finais dos anos 1980 acontece a queda do muro de Berlim e a crise do sistema Socialista, muda-se de novo para sempre o cenário geopolítico mundial e surge um novo paradigma.

Ao final do ciclo ocorre o fenômeno do estagflação que é definida como a associação de recessão com hiperinflação, ou seja, além da desaceleração das atividades econômicas, o desemprego está nas alturas e a inflação na estratosfera, a Teoria Keynesiana é questionada e perde força nas academias, o receituário da escola monetarista ganha adeptos. Esta onda conclui-se com a recessão mundial de 1980-1982 quando inicia segundo Gordon um novo ciclo: o outono.

Verão – Guerra

1º Ciclo: Guerra de 1812.
2º Ciclo: Guerra Civil Americana.
3º Ciclo: I Guerra mundial 1914-1918.
4º Ciclo: Guerra do Vietnam.

Características econômicas do verão:

• O Verão é financiado por massivo incremento de dinheiro conduzindo a uma hiperinflação que atinge um teto no final do verão.
• A Confiança é crescente.
• Preços do ouro atingem significante teto ao final do verão.
• Taxas de juros elevam-se rapidamente e atingem um teto no final do verão.
• Mercado acionário sobre pressão e no final do verão atinge o seu nível mais baixo.
• Investimentos típicos do verão: Imóveis, Commodities e Metais Preciosos.

Ondas K – Outono

Segundo Gordon (2008) a fase do Outono inicia-se entre os anos de 1980-1982 com o mundo ainda na fase recessiva, mas com ênfase na recuperação econômica, a palavra mágica para o outono é globalização e surgem novos paradigmas econômicos, com a queda do socialismo no final da década de 1980.

Novas fronteiras de expansão do capitalismo aparecem, neste período o número de guerras foi reduzido e os problemas com matérias-primas amenizados. Por outro lado, houve um elevado incremento de atividades especulativas, tivemos uma expansão imobiliária lastreada em créditos baratos e análise de risco de crédito duvidosa (as chamadas subprimes).

A economia Japonesa entra em estagnação nos anos 90 e a China lidera, os BRICs surgem como potências emergentes.

Características econômicas relevantes do outono:

• Altas sólidas do Mercado acionário financiado por políticas fiscais e monetárias expansionistas.
• Preços dos estoques de mercadorias atingem um eufórico pico como sinal do princípio do inverno.
• Inflação e preços das commodities em queda.
• Preço dos imóveis em alta e atingem um pico no começo do inverno.
• Ouro e investimentos em ouro em baixa e atingem seu ponto mais baixo ao final do outono.
• As dívidas atingem níveis astronômicos ao final do outono.
• Elevada confiança do consumidor devido aos preços dos estoques, imóveis e do pleno emprego.
• Investimentos característicos do outono: Ações, bônus do tesouro e imóveis.

Ondas K – Inverno

Gordon (2008) realizando estudos econométricos acredita que o mundo pode estar no que denominou de “inverno econômico” e que este ciclo se tenha iniciado por volta do ano 2000, no entanto, ainda segundo Gordon este inverno econômico ter-se-ia retardado pela presença de políticas Keynesianas expansionistas, como a política de juros baixos do FED (Banco Central) Norte-Americano, liderado por Alan Greenspan que retardou a crise.

Os juros baratos financiando o mercado imobiliário e a ausência de regulamentação adequada proporcionou a criação e o alastramento de produtos financeiros exóticos, a superexposição ao risco (títulos subprimes) e o surgimento de bolhas especulativas, cuja quebra contaminou a economia real em cadeia a partir do sistema financeiro internacional.

Neste cenário de inverno econômico,  instala-se a crise, as escolas monetaristas perdem força nas academias, a teoria Keynesiana é ressuscitada para buscar encontrar respostas. Após o inverno ressurge a primavera, mas, citando Sismondi (1818): “não antes de um enorme sofrimento“.

Características econômicas relevantes do inverno conforme Gordon (2008):

• Preocupação, medo, pânico, desespero.
• Queda rápida da inflação diretamente para a deflação.
• Significante renúncia de dívidas, inadimplência generalizada, virtualmente ausência de crédito.
• Mercado acionário em queda. A queda das ações é proporcional ao antecedente Mercado em alta.
• Falências, aumento das taxas de juros.
• Mercado financeiro em crise.
• Crise cambial internacional semelhante a 1931-1934.
• Ouro e investimentos em outros ativos associados a outro com preços em alta sinalizando que a deflação pode instalar-se.
• Investimento no inverno: Ouro, dinheiro vivo e títulos (Após inadimplência).

Bibliografia

Gordon, Ian (2008), Revisiting the Kondratieff Cycle, Compiled and published by Axis of Logic Friday, Oct 31, 2008. http://axisoflogic.com/artman/publish/Article_28641.shtml.

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