Keynes teoria anticíclica

A Visão Keynesiana: Teoria Anticíclica

O principal problema mundial a ser enfrentado na grande depressão de 1929-1933 era o desemprego crónico.

O receituário até então indicado pelos economistas clássicos para o problema do desemprego é a existência de salários flexíveis.

O desemprego na ótica dos Economistas clássicos era uma questão pontual que se ajustaria automaticamente para o nível de emprego pleno ao longo do tempo pelo efeito da mão invisível do mercado.
A lei de Say previa a hipótese de a oferta criar sua própria demanda, e desta forma não haveria motivos para os ciclos econômicos, crises de superprodução, nem recessão.

Bastando para tanto que o Governo não intervisse na economia, âmbito exclusivo de atuação do mercado e deixasse o próprio mercado se autorregular (Laissez faire, Laissez Passer – Deixe fluir, Deixe passar).

A ingerência do Governo na economia na visão dos clássicos e dos neoclássicos é a causa principal dos problemas econômicos.

Afirma Keynes (1936): “É verdade que a lei dos mercados já foi abandonada há tempos pela maioria dos economistas, mas eles não se livraram de seus postulados básicos, particularmente de sua ideia errônea de que a demanda é criada pela oferta.”.

Say estava supondo implicitamente que o sistema econômico está sempre operando com plena capacidade de forma que uma atividade nova apareceria sempre em substituição e não em suplementação a alguma outra atividade.
Quase toda a teoria econômica subsequente tem defendido no sentido de que ela tem exigido esse mesmo pressuposto.
No entanto, uma teoria com essa base, claramente terá dificuldades para enfrentar os problemas do desemprego e do ciclo econômico.

Keynes (1936) por outro lado, contesta por completo esta visão dos clássicos, acreditava que não existe apenas um equilíbrio com emprego pleno, sendo este um dos possíveis, mas que existem diversos equilíbrios e a economia poderia se encontrar em equilíbrio com elevados níveis de desemprego e que as crises poderiam ser controladas pela intervenção do Governo.

Afirma Keynes (1936): “A demanda efetiva associada ao pleno emprego é um caso especial que só se verifica quando a propensão a consumir e o incentivo para investir se encontra associados entre si numa determinada forma”.

Esta relação particular, que corresponde às hipóteses da teoria clássica, é, em certo sentido, uma relação ótima.

Mas ela só se verifica quando, por acidente ou desígnio, o investimento corrente proporciona uma quantidade de demanda justamente igual ao excedente do preço da oferta agregada da produção resultante do pleno emprego sobre o que a comunidade decida gastar em consumo quando se encontre em estado de pleno emprego.

Diante disto, na visão de Keynes, o Governo deveria utilizar massivamente a política fiscal para destravar a economia em recessão.

A ideia Keynesiana básica é que o Estado complemente as ações do mercado que sozinho não conseguiria resolver o
problema do desemprego.

A teoria Keynesiana ou teoria anticiclica sugere o aumento dos Gastos públicos nos períodos de depressão, incorrendo assim o Estado em déficit para gerar demanda agregada que estimularia o investimento e reduziria o desemprego.

A proposta de Keynes (1936) de política anticíclica é que a intervenção Estatal pode amenizar e quiçá até eliminar os ciclos econômicos.

Keynes (1936) põe tão grande ênfase na importância do déficit público como política anticíclica a ponto de até mesmo defender que o mau gasto público ou o gasto ineficiente, seria bom para a economia desde que gere demanda adicional;

Prega Keynes: “Cavar buracos no chão à custa da poupança não só aumentará o emprego, como também a renda nacional em bens e serviços úteis. Gastos inúteis provenientes de empréstimos podem, apesar disso, enriquecer no fim de contas a comunidade. A construção de pirâmides, os terremotos e até as guerras podem contribuir para aumentar a riqueza, se a educação dos nossos estadistas nos princípios da economia clássica for um empecilho a uma solução melhor.”.

Outro conflito com a teoria clássica é que na visão Keynesiana nem sempre o investimento será igual à poupança, para Keynes (1936) a poupança é função das receitas auferidas, ou seja, da taxa de juros, enquanto o investimento seria função do “espírito animal”, ou seja, de fatores psicológicos do empreendedor.

O investimento planejado poderia ser diferente do investimento realizado.

Ao tomar a decisão de investimento, os empreendedores levam em contas suas próprias expectativas. Desta forma, não há o que falar na igualdade do binômio investimento-poupança como é defendido pelos economistas clássicos.

Para estes economistas clássicos, investimento e poupança é função da taxa de juros, poderosa o suficiente para impor um equilíbrio.

A visão Keynesiana sobre os ciclos de negócios é que quando as expectativas dos empreendedores são positivas, aumentam os investimentos e acontece o boom, quando as expectativas são negativas, existirá contração de investimentos, que afetará a demanda agregada, poderá provocar uma depressão jogando a economia para a fase recessiva do ciclo e neste ponto, a proposta de Keynes de intervenção estatal se apresenta de forma reguladora destas expectativas irracionais.

Os gastos do Estado impedem a queda da demanda e cria-se um colchão de amortecimento dos efeitos nefastos da fase contracionista do ciclo. Daí porque a teoria Keynesiana ter sido batizada como teoria anticíclica.

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