Kalecki e os ciclos econômicos

Os Ciclos Econômica na visão de Kalecki

Crises cíclicas têm sido comuns na economia mundial desde o surgimento da revolução industrial. O termo “business cycles” tem sido usado para se referir a estas flutuações no nível de produção, no investimento e no emprego.

São muitas as tentativas de explicações pelas escolas econômicas para identificar a origem destes ciclos.

Michal Kalecki foi dos principais colaboradores para a análise dinâmica da macroeconomia, onde diferentes variáveis em um modelo são definidas em períodos de tempo distintos.

Esta abordagem entrava em contradição com a ortodoxia econômica de seu tempo que usava modelos estáticos para buscar soluções de equilíbrio.

Até os dias atuais, o conceito de ciclo de negócios Kaleckiano é uma das teorias mais negligenciadas pelas escolas do pensamento econômico porque sintetiza uma instabilidade dinâmica intrínseca da economia mundial, em longo prazo, como resultado do que denominou duplo caráter de investimento.

As teorias de Schumpeter e Kalecki abordam o fenômeno dos ciclos de negócios de forma diferente, mas têm um fundo algo em comum: Na visão de Kalecki, a inovação tecnológica é um dos fatores determinantes para a decisão de investimento e o investimento é a chave para justificar os ciclos de negócios.

Segundo Kalecki (1997): De acordo com essa explicação, o estímulo ao investimento decorre da concorrência entre os capitalistas: um capitalista é levado a introduzir inovações tecnológicas e, portanto, a investir (visto que as inovações estão embutidas nos novos equipamentos de capital), apesar da existência de capacidade ociosa, para captar lucros auferidos por seus concorrentes.

O primeiro destes fatores relevantes é a variação dos lucros. Na visão de Keynes (1936) o investimento é função direta da taxa de juros e o empresário optará por investir em ordem decrescente em função da rentabilidade, naqueles projetos de investimentos cuja curva de Eficiência Marginal do Capital (Emgk) ou a taxa interna de retorno do negócio seja superior à taxa de juros de mercado.

Para este aspecto, Keynes não faz distinção entre taxa de juros de curto prazo e prazo longo.
Kalecki, no entanto, baseado em estudos econométricos sobre o comportamento da taxa de juros Norte Americana, entende que as taxas de juros no curto prazo são voláteis, mas, que a taxa de juros do longo prazo (que determina os investimentos) tem pouca oscilação ao longo dos anos podendo ser consideradas estável ou constante.

Assim, descartada na visão de Kalecki a influência da taxa de juros (e consequentemente uma abordagem monetarista) na definição de investimento, logo, torna-se decisivo para este fim a variação nos lucros da empresa.

Conforme Kalecki (1997): “Alguns autores têm atribuído um papel importante à taxa de juros entre as forças subjacentes às flutuações económicas. Como é a taxa de longo prazo que é relevante no que diz respeito à determinação do investimento e, portanto ao mecanismo do processo cíclico, os resultados acima obtidos são bastante significativos. Efetivamente, em vista do fato de que a taxa de juros de longo prazo, pelas razões acima expostas, não apresenta flutuações cíclicas pronunciadas, dificilmente poderia ser considerada um elemento importante no mecanismo do ciclo econômico.”.

A segunda questão relevante como fator determinante do investimento é a acumulação interna do capital. O collateral ou a garantia define o risco que os bancos estarão dispostos a correr e este é diretamente proporcional ao capital próprio da empresa.

O risco de default (inadimplência) amplia-se conforme aumenta a alavancagem da empresa, ou seja, quanto mais empréstimos a empresa tem em relação ao seu capital próprio, maior o risco de inadimplência.

O terceiro fator são as variações no estoque de capital fixo. Desta forma, a capacidade de captar crédito para expandir seus negócios, está ligada as próprias variações no estoque de capital fixo e está diretamente associada ao quanto à empresa acumula capital baseado em seus próprios lucros e esta expansão é o passaporte para acesso ao crédito que a empresa precisa para investimentos.

Somando estes três fatores a uma constante simbolizando as inovações tecnológicas; e uma função simbolizando a acumulação de estoque, chega-se à equação dos fatores que determinam a formação total de capital Kaleckiana.

Segundo Miglioli (1982): “Na Teoria da Dinâmica Econômica, da equação dos determinantes do investimento (da qual constam os três fatores antes mencionados: a poupança interna bruta das empresas, o aumento dos lucros e o aumento do estoque de capital fixo), seu autor deriva a equação do ciclo econômico; todavia, para obter a tendência, ele é obrigado a introduzir de fora um novo fator: as inovações tecnológicas”.

Já no referido ensaio, o progresso técnico passa a ser o principal determinante do investimento, e é daí que Kalecki obtém tanto a equação do ciclo como a da tendência.

Apesar de atribuir o ciclo de negócios a causas distintas, a visão de Kalecki e de Schumpeter é muito próxima quanto ao entendimento que as inovações e rupturas tecnológicas são os fatores relevantes para a formação do ciclo de negócios.

As razões acima expostas são estudos econométricos sobre a taxa de juros Americana.

A respeito dos ciclos econômicos nos diz Kalecki (1954): “Vemos que a pergunta: Que causa as crises periódicas‘? Poderia ser respondidas brevemente: É o fato de que o investimento não apenas é produzido, mas também é produtor. O investimento considerado como despesa é a fonte de prosperidade, e cada aumento dele melhoram os negócios e estimula uma posterior elevação do investimento.”.

Mas, ao mesmo tempo, cada investimento é uma adição ao equipamento de capital, e desde logo compete com a geração mais velha desse equipamento.

A tragédia do investimento é que ele causa crise porque é útil. Sem dúvida, muitas pessoas considerarão paradoxal essa teoria. Mas não é a teoria que é paradoxal, e sim seu objeto: A economia capitalista.

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