A escola austríaca: ciclos econômicos

Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos

A teoria Austríaca é um modelo refinado dos pressupostos de equilíbrios da teoria clássica, trata-se de argumentos semelhantes revestidos com uma roupagem mais sofisticada.

Para Thornton (2011) a percepção da Escola Austríaca sobre o ciclo de negócios é relativa à teoria do preço e das preferências temporais.

A Escola Austríaca não presume a existência de uma mão invisível, mas também não nega sua existência. Busca explicar o porquê da existência de clusters de erros empresariais que estariam na causa dos ciclos de negócios.

Para os Austríacos os dois melhores fatores que explicam o ciclo econômico são a taxa de juros e o excesso de oferta monetária.

A taxa de juros é extremamente relevante porque tem a função de harmonizar poupança e investimentos e uma vez distorcida a preferência temporal dos agentes econômicos, o caos pode instalar-se.

A distorção da taxa de juros está no cerne dos maus investimentos e na formação de bolhas.

Na ausência de interferência Governamental a taxa de juros é determinada naturalmente pelas preferências temporais, ou seja, algumas pessoas têm o desejo de consumir de imediato e outras preferem adiar este consumo e poupar e são premiadas com a taxa de juros.

A taxa de juros harmoniza o valor que daremos ao consumo atual versus o consumo futuro (ou poupança) e o valor que atribuiremos aos insumos produtivos.

Preferências temporais mais baixas, ou seja, o consumo estimulado por taxas de juros artificialmente reduzidas podem disponibilizar mais recursos para os fatores produtivos, provocar o boom e produzir o crescimento econômico artificial.

Desta forma com os instrumentos de mercado distorcidos, muito empreendedores podem se aventurar em projetos que antes da manipulação das taxas de juros reais pelo governo eram considerados tecnicamente inviáveis.

A Escola Austríaca entende que deve existir algo de errado na estrutura institucional que provoque a existência de Clusters de erros empresariais durante o ciclo econômico.

Entendem que o remédio do juro artificial pode provocar distorções na percepção do mercado na escolha dos projetos de investimento viáveis e que o banco central dispõe de diversos mecanismos manipuladores para distorcer a taxa de juros que afetam os mecanismos normais de ajuste do mercado ou da taxa de juros natural e que inclusive podem afetar a taxa de juros de longo prazo.

Os empresários recebem um sinal que mais recursos estarão disponíveis para investimentos e os consumidores também entendem que receberam o sinal para a farra consumista e passam a ter um comportamento frívolo.

O boom é explicado pela associação de investimentos amplificados artificialmente com aumento do consumo frívolo também estimulado pela política monetária.

Para a Escola Austríaca o problema está no boom e a solução está na recessão.

Devemos esclarecer que a Escola Austríaca não é contra o consumo na hipótese dos consumidores em condições normais de mercado, sem alteração das preferências temporais pelo governo resolveram consumir mais, o mercado entenderá o recado de forma consistente e passará a produzir mais bens de consumo e menos bens de Capital, a consequência serão aumento das taxas de juros que de alguma forma regulará a oferta de moeda e mais adiante o próprio consumo.

É na fase do boom que todos os investimentos errados são iniciados. Investimentos em imóveis, tecnologia, equipamentos que formam a bolha especulativa.

A estrutura de produção da sociedade está distorcida inclusive o mercado de trabalho. Na fase do boom todos os investimentos realizados parecem ser extremamente lucrativos.

A expansão monetária faz a riqueza artificialmente crescer e as pessoas começam a tomar empréstimos facilitados e tendem a ter um comportamento frívolo e adotam estilos de vida luxuosos e incompatíveis com seu real poder de compra, Tornam-se pródigas e consomem de forma extravagante com um padrão de consumo incompatível com sua renda real.

Estas coisas continuam até o momento da inadimplência, do estouro da bolha e da reversão do ciclo quando os investimentos ruins provam-se ser equivocados, desaparece a riqueza artificial e as coisas acabam mal.

A escola Austríaca entende que a recessão é a solução, quando os investimentos equivocados mostram a sua real face, é o momento de rever os erros que provocaram o boom e a formação dos clusters de investimento equivocados.

O preço das ações que se especularam no momento do boom é depreciado para chegar a seu real valor de mercado.

A bolha imobiliária estoura e os imóveis retornam a seu preço histórico. A falência de empresas e a execução das hipotecas é um processo corretivo.

Este processo corretivo afasta os incompetentes, os ineficientes ou maus empresários e os bens de capital que são retomados por empreendedores competentes.

Inicialmente nas condições de pânico os preços dos bens de capital podem estar muito baixos e isto atrai os investidores abrutes ou predadores, que mesmo nas situações de risco e de pânico se banqueteiam do almoço grátis e do investimento morto.

Assim, o sucesso dos investidores abutres atrai novos investidores e o equilíbrio do mercado gradualmente é retomado, no entanto este novo equilíbrio não é um equilíbrio artificial e reflete a nova realidade.

Os adeptos da Escola Austríaca informam que se sentem mal e lamentam por aqueles que quebraram, perderam seus negócios e sofreram, mas, o foco é explicar como a economia recupera-se, retoma a ativa e renasce.

Informam que na crise os maus investimentos quebram, o desemprego se eleva e os salários tendem a tornarem-se mais flexíveis ou quiçá totalmente flexíveis, os indicadores salariais em geral tendem a cair, pois os trabalhadores estarão mais dispostos a aceitar empregos onde a produtividade marginal do trabalho seja igual ao seu preço que seja lucrativo para a empresa contratar.

Assim, se os trabalhadores estiverem dispostos a aceitar salários e benefícios mais baixos a probabilidade de manter-se no emprego ou de encontrar novo emprego amplia-se. Assim com preços de capital e trabalho em baixa a economia tende a estabilizar-se.

Por outro lado, outro ajuste importante acontece quando os consumidores abandonam o comportamento frívolo ou compulsivo.

As pessoas ficam mais inseguras quanto ao futuro e a poupança aumenta, a prodigalidade é substituída pela frugalidade, o poder de compra da moeda amplia-se e as pessoas começam a tirar vantagens deste poder de compra ampliado e a poupança ampliada ajuda a financiar os investimentos eficientes que foram perdidos na fase de expansão artificial e com o boom.

Ainda de acordo com Thornton (2011) no boom ocorre o aumento dos investimentos e do consumo que cuja geração de riqueza na verdade foi espúria.

O objetivo da fase de recessão é restaurar os fundamentos da economia e instaurar o verdadeiro crescimento econômico  sob-bases sólidas evitando-se a construção de castelos de areia onde os recursos são precificados ao seu real valor de mercado.

Com a redução de gastos pelos consumidores, os preços dos bens e capital e do insumo trabalho também caem, no entanto, os preços dos bens de consumo permanecem relativamente elevados, ampliando-se os lucros das empresas e novas oportunidades de investimentos surgem.

Assim em relação às políticas públicas a recomendação dos Austríacos é a política não intervencionista do laissez faire e os mercados devem ter liberdade para automaticamente se reajustarem devido a que qualquer tentativa de ajuste dirigido apenas gere distorções e crie os elementos para a formação de crises no futuro bem como adie o verdadeiro crescimento.

A crise é o momento para a desregulamentação, a redução de taxas e da burocracia governamental. Assim, mesmo com o sacrifício no curto prazo em termos de redução de produto interno bruto.

Resumindo, de acordo com a teoria Austríaca a ideia é apontar os problemas que ocorrem quando os governos interferem nas preferências temporais dos agentes econômicos.

Se o Governo interfere, reduzindo ou ampliando a taxa de juros da economia de forma artificial, os agentes econômicos receberão sinais desconexos e a economia tenderá a produzir bolhas que serão corrigidas por recessões e depressões.

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