Ciclos econômicos

O Conceito de Ciclo Econômico

O Brasil saiu definitivamente da fase de bonança e entrou na fase cíclica da Recessão. Nesta série de artigos do Blog Peritia Econômica vamos falar sobre Ciclos Econômicos.

Doravante nosso objetivo será buscar identificar como a literatura econômica explica estes “tempos de vacas gordas e tempos de vacas magras” da Economia Brasileira e/ou da econômica mundial.

A Prosperidade, a crise e os ciclos econômicos que estão na base dos fluxos e refluxos da economia mundial e do consumo de energia.

Um ciclo econômico consiste em expansões que ocorrem em intervalos temporais semelhantes em diversas atividades econômicas, seguidos por semelhante retração geral, contrações, e renascimento que se mesclam para a fase de expansão do próximo ciclo.

Esta sequência de câmbios é recorrente, mas não periódica: O prazo de duração dos ciclos de negócios varia num intervalo temporal entre 2 (dois) a 10 (dez) anos ou até em prazo superior a 12 (doze) anos.

Estes ciclos podem ser divisíveis em ciclos mais curtos de caráter semelhante, com amplitudes iguais à do próprio ciclo. (Burns e Mitchell, 1946).

Um Ciclo Econômico designa-se pelas flutuações do PIB, da renda, do emprego, sendo definidos por uma expansão seguida de um amplo movimento contracionista, com contração da maior parte dos segmentos econômicos de um país ou mesmo da economia mundial.

Cada ciclo econômico possui duas fases distintas: A fase expansionista e a fase recessiva. Os pontos de inflexão destes ciclos são representados por “picos” (pontos de inflexão de fase expansiva para uma fase recessiva) e por “vales” (pontos de inflexão de uma fase recessiva para uma fase expansionista).

Vídeo abaixo interessante, em Espanhol, mas de fácil entendimento do conceito de “business cycles” ou ciclos de negócios.

Pioneiros da Teoria dos Ciclos Econômicos

Os Pioneiros da Teoria dos ciclos econômicos são Sismondi, Juglar e Kitchin (Favor não confundir o nome deste Economista com “Kitchen”).

Sismondi e os Ciclos Econômicos: Um pioneiro negligenciado

Jean Charles Léonard de Sismondi (19 de Maio1773 – 25 Junho1842) foi provavelmente o primeiro contestador da ortodoxia clássica até então dominante.

Mais de um século antes do surgimento do princípio da demanda efetiva de Kalecki, de Keynes e sua Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, da teoria das ondas longas de Kondratieff ou da teoria da destruição criativa de Joseph Schumpeter.

Sismondi insistiu que a Ciência Econômica estuda excessivamente formas para incrementar a riqueza, no entanto, quanto à utilização desta riqueza para produzir felicidade, a teoria estuda muito pouco. (Sismondi, 1819).

Seu mérito e sua mais importante contribuição para a Ciência Econômica foi provavelmente a descoberta dos ciclos econômicos. Sismondi (1819) contesta a ideia de que o equilíbrio económico conduz ao pleno emprego e que este seria imediatamente e espontaneamente atingido.

Sua teoria pode ser classificada como a de crises subsequentes ao invés de ciclos por si próprios.
No Trabalho de Sismondi aparece uma contribuição importante para a formação do princípio da demanda agregada. Ele escreveu: “Tenhamos cautela com esta ‘teoria perigosa do equilíbrio’ o qual supõe que o equilíbrio geral é automaticamente estabelecido. Certo tipo de equilíbrio, é verdade, é restabelecido ao longo do tempo, mas, após uma terrível quantidade de sofrimento”.

Em seu livro On Classical Economics, Sowell dedica um capítulo a Sismondi, argumentando que foi pioneiro negligenciado. (Sowell, 1972).

Esta “perigosa teoria do equilíbrio” a qual se refere Sismondi é popularmente conhecida nos meios académicos como a “lei de Say”.

Segundo Say (1832): “Um produto, tão logo seja criado, nesse mesmo instante gera um mercado para outros produtos em toda a grandeza de seu próprio valor.”.

Em resumo, Say prega que toda a oferta cria a sua própria demanda ou em outras palavras que toda produção cria uma demanda de valor igual e suficiente para absorvê-la.

Pelo modelo Clássico, jamais poderia ocorrer crises, depressões ou ciclos econômicos, pois, a oferta ao criar sua própria demanda, criaria também um fluxo de rendimentos de igual valor ao da produção que estaria automaticamente garantida, gerando assim um fluxo ascendente de prosperidade.

O desemprego no modelo clássico seria “friccionai” e apenas aqueles que não estivessem dispostos a trabalhar ao preço pago pelo mercado de trabalho estariam desempregados.

A síntese do modelo clássico é que plena utilização dos fatores de produção disponíveis (entre estes, o trabalho) acontece quando a remuneração de cada fator corresponde à sua produtividade marginal.

Logo, segundo os economistas clássicos, haverá desemprego quando os trabalhadores insistirem em exigir (e, eventualmente, por quaisquer motivos, vierem a conquistar) salários reais superiores à produtividade marginal do trabalho. Com salários flexíveis e ausência de intervenção de políticas fiscais regulatórias, o pleno emprego estaria garantido.

Os Ciclos de Juglar

Juglar foi um dos primeiros economistas a desenvolver uma teoria dos ciclos econômicos e identificou ciclos de investimentos fixos de sete a onze anos que atualmente são associados ao seu nome.

Dentro de cada um dos ciclos de Juglar podem ser observadas oscilações do investimento em capital fixo e não apenas as alterações do nível de emprego do capital fixo e respectivas alterações nos estoques como observado relativamente aos ciclos de Kitchin.

Uma pesquisa recentemente realizada por Korotayev e Tsirel (2010), com o uso da ferramenta da análise espectral detectou a presença de ciclos de Juglar e ciclos de Kitchin na dinâmica do PIB mundial no tempo presente.

Segundo Korotayev e Tsirel (2011): “O mais conhecido dos ciclos econômicos (com um período de abrangência de sete a onze anos) que são típicos da indústria moderna e da economia pós-industrial. (conhecido também como ciclo de negócios) é chamado pelo nome do Economista Francês Clement Juglar que foi um dos primeiros a descobrir e descrever estes ciclos (Juglar 1862)”.

O ciclo de Juglar deve levar em conta o ponto que está dentro do ciclo de negócios (com um período entre sete a onze anos) pode-se observar o investimento em Capital fixo (Incluindo a renovação de produção de maquinário) e não apenas as mudanças no nível do emprego do capital fixo.

Os Ciclos de Kitchin

Ciclos de Kitchin são curtos ciclos de negócios de aproximadamente quarenta meses descoberto em 1923 por Joseph Kitchin.

Acredita-se que este ciclo é calculado pela defasagem de tempo nas informações dos movimentos que afetam o processo decisório das firmas comerciais. (Kitchin, 1923).

As Firmas reagem para melhorar sua situação comercial por meio do incremento na produção (ganhos de escala), através da utilização da plena capacidade do nível dos ativos aplicados em capital fixo.

Como resultado, dentro de certo intervalo de tempo (entre alguns meses a dois anos) o mercado fica saturado e inundado de mercadorias cujas quantidades tornam-se gradualmente excessivas.
A demanda declina, os preços despencam, as mercadorias produzidas acumulam-se em estoques, o que informa aos empreendedores da necessidade de reduzir a produção.

No entanto, o processo para que a informação dos estoques que excedem significantemente a demanda chegue até ao empresário leva algum tempo.

Além disto, ao empreendedor toma algum tempo checar esta informação e tomar a decisão de reduzir a produção, algum tempo também é necessário para materializar esta decisão (Estes são os tempos de defasagem que gerariam os ciclos de Kitchin).

Outra importante defasagem está entre a materialização de decisão acima mencionada (causando aos bens de capital a trabalhar bem abaixo do nível de plena capacidade) e o decréscimo da excessiva quantidade de estoques acumulados em estoques.

Após esta redução acontecer podem ser observadas as condições para uma nova fase de crescimento da demanda, preços, produção, etc. (Korotaev e Tsirel, 2010).

Nos próximos artigos trataremos especificamente de outras teorias do Ciclo Econômico de todos os espectros ideológico: Desde a Teoria de Keynes, Kalecki, Marx, Schumpeter, Kondratief até a teoria Austríaca Neoclássica.

Por favor visite nosso Blog http://www.peritiaeconomica.com.br/ para saber mais sobre economia e Finanças.

Bibliografia

1- Burns, Arthur F. e Wesley C. Mitchell (1946), Measuring Business Cycles.
2- Korotayev, Andrey V. and Tsirel, Sergey V. (2010), A Spectral Analysis of World GDP Dynamics. Vol.4. #1. P.3-57.
3- Kitchin, Joseph (1923), Cycles and Trends in Economic Factors. Review of Economics and Statistics 5 (1): 10–16
4- Say, Jean-Baptiste (1832): A Treatise on Political Economy (Augustus M. Kelley, 1971 [1832]), p. 134
5- Sismondi (1819) Novos Princípios da Economia Política.

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